Em um encontro noturno onde você conhece novas pessoas, a mesma pergunta sempre surge:
"Então, o que você faz?"
Durante muito tempo, eu respondia desviando a conversa. Em vez de falar sobre meu trabalho, eu tentava direcionar as pessoas para o que realmente importava para mim:
O que eu faço na vida para me sentir bem, para me sentir realizado?
O que me faz sentir vivo, o que me interessa, o que me ajuda a crescer?
Preferi falar sobre minhas atividades e paixões em vez de me deixar aprisionar em uma categoria profissional. A sociedade espera primeiro nos rotular: nosso trabalho. No entanto, muitas vezes esse trabalho é apenas uma atividade entre muitas, às vezes muito distante de quem realmente somos.
Minha resposta geralmente era algo como:
“Eu vivo… e tento viver da melhor maneira possível.”
Uma noite diferente: aceitando dar nome ao meu novo emprego
Aquela noite em particular foi diferente: ocorreu em um contexto profissional.
Então entrei na brincadeira e, pela primeira vez, respondi à pergunta diretamente.
E para minha grande surpresa, era… uma delícia.
Explicar o que faço, observar reações, silêncios, desvios, mudanças na expressão das pessoas…
Tudo isso me fascinou completamente. Porque minha área de atuação toca em algo muito íntimo:
Eu trabalho no mundo das urnas funerárias, na encruzilhada entre a morte, o luto e a vida.
Dizer isso sem mais nem menos é como atirar uma pedra em água parada.
Dizer “Eu trabalho com a morte”: Jogando uma pedra no tabu
Existem várias maneiras de apresentar o que eu faço.
- A versão direta, um pouco ácida:
“Eu trabalho com urnas funerárias.” - A versão mais suave, mais embrulhada:
Começo por falar de uma árvore que cresce, de um ritual que nos permite devolver a vida de outra forma,
E então, gradualmente, introduzo o tema da morte e do luto.
Qualquer porta que eu escolha, o resultado é o mesmo:
Este assunto nunca deixa ninguém indiferente.
Você percebe imediatamente que está tocando em um tabu.
A aparência muda, a voz se altera, o corpo se abre ou se fecha.
Mas em quase todos os casos, algo se abre: uma fresta, uma curiosidade, uma emoção.
Desvendando os mistérios da morte e do luto
O que mais me impressionou foi a profundidade com que cada pessoa foi tocada em sua sensibilidade mais íntima.
Muito rapidamente, surge o desejo de desvendar esse tema da morte sobre o qual quase nunca falamos.
Todos nós, de uma forma ou de outra, já vivenciamos um momento de luto que deixou uma marca mais ou menos cicatrizada.
E essa simples troca se torna uma oportunidade rara:
- Falar sobre a morte sem tabus
- Para libertar o que os tem incomodado há muito tempo.
- Dar nome aos medos, às dúvidas, à raiva.
- Para finalmente se sentirem à vontade para falar sobre seus questionamentos.
A conversa torna-se quase terapêutica.
Sem filtro, sem véu, sem medo de julgamento.
Simplesmente seres humanos que, por um instante, ousam mostrar-se vulneráveis e reais.
Falar sobre a morte é falar sobre a vida.
O que é fascinante é que, na realidade, falar sobre a morte sempre significa falar sobre a vida.
Quando falamos de perda, separação, o fim de uma história, também estamos falando de:
- o amor que um dia existiu
- os laços que continuam de outra forma
- O que escolhemos fazer com nossa própria vida após o luto.
- Aquilo que queremos honrar, transmitir ou deixar ir.
- dúvidas e perguntas sobre este assunto
Nessas conversas, a morte deixa de ser apenas uma sombra da qual fugimos.
Torna-se um espelho que reflete nossa maneira de viver, de escolher, de amar e de nos comprometermos.
Uma enorme necessidade de quebrar o tabu
Aquela noite confirmou algo para mim:
Em nossa sociedade, existe uma enorme necessidade de finalmente podermos falar sobre a morte e o luto.
Vivemos num mundo onde mostramos tudo… exceto o fim da vida.
Nós disfarçamos, escondemos, desviamos o olhar.
Mas assim que um espaço seguro é criado, tudo começa a fluir:
Palavras, lágrimas, sorrisos, memórias.
Abordar esse assunto com ousadia é como abrir a caixa de Pandora.
mas uma caixa de Pandora que, em vez de destruir tudo,
Na verdade, isso nos ajuda a nos libertar, a respirar novamente e a nos sentirmos menos sozinhos.
Um presente para você: falar sobre a morte para amar mais a vida.
Para mim, presenciar esses momentos é uma bênção.
É um privilégio ver pessoas se revelarem assim.
Ver como eles finalmente conseguem expressar em palavras o que vive dentro deles há anos.
E é também um presente que eu realmente desejo que você experimente um dia:
o dom de falar sobre a morte sem véu ou tabu,
de compartilhar sua experiência de luto,
E, por meio disso, reconectar-se com a vida de uma maneira mais verdadeira e profunda.
Porque, no fim das contas, levantar o véu sobre a morte
Muitas vezes, é a maneira mais bela de aprender a viver novamente.
→ Leia: A verdadeira natureza da Urna Árvore — como ela transforma a vida.
→ Leia: Reconhecer a mortalidade para uma vida plena e consciente..


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